Baseado em uma palestra feita pelo autor na Universidade do Estado de Nova York, que em pouco tempo se espalhou pela internet, é um manifesto sobre como ser criativo na era digital.

UM POUCO SOBRE O AUTOR

Antes de iniciar uma bela aventura através de um livro, o mais coeso a se fazer é conhecer pelo menos um pouco de seu autor.

“Roube como um artista” (Steal Like an Artist, no original) é escrito por Austin Kleon, escritor e artista, responsável por mais dois livros: “Show Your Work!” e “Newspaper Blackout”. Além de sua ocupação habitual, fala sobre criatividade na era digital para organizações como Pixar, Google e The Economist.

Caso se interesse, está linkado abaixo uma entrevista muito interessante, com o próprio Austin, sobre o livro que iremos discutir.

SOBRE O LIVRO

Extremamente direto, o livro já dá suas cartas logo na contracapa. Você claramente pode optar pela compra ou não, pois as dicas estão ali, prontas para serem lidas gratuitamente:

  1. Roube como um artista.
  2. Não espere até saber quem você é para poder começar.
  3. Escreva o livro que você quer ler.
  4. Use as mãos.
  5. Projetos paralelos e hobbies são importantes.
  6. O segredo: Faça um bom trabalho e compartilhe com as pessoas.
  7. A geografia não manda mais em nós.
  8. Seja legal. (O mundo é uma cidade pequena.)
  9. Seja chato. (É a única maneira de terminar seu trabalho.)
  10. Criatividade é substração.

Estão aí, livres para serem lidas e interpretadas. Mas interpretação é tudo e entender essas dicas de forma errônea pode ter efeito reverso no caminho que você irá traçar.

O papel dessa obra, é demonstrar que você não precisa ser um gênio, só precisa ser você mesmo. É mostrar a importância da educação através das obras de outros bons artistas, a importância de se espelhar neles e em como você, eventualmente, pode vir à apresentar nuances desse artista em suas próprias obras naturalmente.

SOBRE A LEITURA

Ler este livro é como conversar com o autor. Não espere uma leitura longa e difícil, espere um ótimo bate papo com alguém mais experiente que você, se não mais experiente, pelo menos com experiências diferentes das suas. E isso meu caro leitor, já é um ganho intelectual enorme!

Roube como um artista é um pequeno livro ilustrado, apenas 150 páginas que podem ser lidas em algumas horas. Além de contar com uma linguagem extremamente informal, o que torna tudo mais natural e confortável para qualquer público.

Contém diversas ilustrações criadas pelo próprio autor, que definitivamente não estão ali gratuitamente. Vale muito a pena estender em alguns minutos sua leitura para tentar entender cada ilustração presente, isso tornará sua experiência mais enriquecedora.

PONTOS ALTOS (PRA MIM)

A ARTE NO ROUBO

O livro começa com uma frase autoexplicativa sobre o termo frequentemente usado pelo autor ao longo do livro: “Roubo”.

“ Poetas imaturos imitam; ´poetas maduros roubam; poetas ruins desfiguram o que pegam e poetas bons transformam em algo melhor, ou pelo menos diferente.

O bom poeta amalgama o seu furto a um conjunto sensível que é único, completamente diferente daquele de onde foi removido. ”

T.S. Eliot

Além de bastante impactante, a frase já mostra que o uso da palavra “roubo” não é um termo moralmente incorreto, mostra como a influência do trabalho de outros artistas, é importante em nossos próprios trabalhos e ainda reforça a ideia do “Nada é original”. Ideia que o livro discorre durante boas páginas.

 

FINJA ATÉ CONSEGUIR, FINJA ATÉ SER!

Quando iniciei minha jornada na Unite, estava em busca de independência, provar para mim mesmo que eu era capaz, além de levar uma vida mais maleável. Essa ideia sempre vem atrelada a trabalhar em casa, de pijama e sem uma rotina de trabalho definida. Trabalho onde quero e quando quero.

A obra me mostrou a importância de levar outro caminho em consideração, percebi que ao me livrar de uma rotina de trabalho, eu livro de trabalhos.

Logicamente, pessoas são diferentes, alguns freelancers conseguem uma carreira consolidada e fixa tranquilamente, mantendo sua rotina quando lhes for mais conveniente. Mas confesso, tive problemas sérios com isso e a leitura me orientou de forma exemplar nesse aspecto.

Há semanas atrás, trabalhava com a roupa que acordava, na hora em que acordava. Agora, me arrumo como um profissional para trabalhar em casa e tenho meus horários fixos de forma que possa se adaptar a meus clientes também. Tenho minhas horas extras e me benefício com isso.

Após essa mudança de hábitos, meu dia se tornou muito mais produtivo, me sentir num ambiente de trabalho me faz querer ser mais, buscar mais e definitivamente ir mais atrás das coisas que preciso, como se fosse “atingir uma meta” para ganhar aquele bônus no pagamento.

MAS EAÍ?


Muitas das dicas que ele apresenta logo de cara já são de conhecimento de muitos criativos. Várias delas já nos foram apresentadas em artigos de blogs famosos, posts de páginas específicas ou em diversos outros meios. Mas a magia realmente acontece dentro do livro!

Austin trata cada ponto muito diretamente, sem se estender em assuntos desnecessários ou cansativos, o que torna a leitura muito rápida e enriquecedora. Você muito provavelmente encerrará o livro com a sensação de “essas dicas precisam ser botadas em prática”.

Roube como um artista é mais um exemplo de que livros pequenos e aparentemente insignificantes, podem agregar um conhecimento maior do que aparenta. A cada dica que você avança, aquela velha frase faz mais sentido: “Os melhores perfumes estão nos menores frascos”.

 

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Designer por profissão e por paixão.

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